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CAMINHOS PARA A OPACIDADE: A FILOSOFIA DE ÉDOUARD GLISSANT

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Descrição

COLEÇÃO: Atravessamentos Impossíveis

TIPO TEXTUAL: Ensaio Filosófico

AUTOR: Gisleide Gonçalves de Almeida

NACIONALIDADE: Brasileira

ANO E MÊS DE PUBLICAÇÃO: 2025, Agosto

PAÍS DE PUBLICAÇÃO: Brasil

DADOS DO PRODUTO IMPRESSO: Brochura, formato 14×21, capa papel Supremo 250g, miolo papel Polén Bold 90g, 160 páginas.

ISBN:978-65-89056-38-6

 

Sobre a autora:
Gisleide Gonçalves de Almeida é uma destacada psicanalista em atividade no Brasil, com participação notável nos espaços acadêmico e cultural de Belo Horizonte, onde vive. Na capital mineira, formou-se em Psicologia pelo Centro Universitário Newton Paiva e especializou-se em Psicopedagogia pelo Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais de Minas Gerais (CEPEMG). Tornou-se mestre em Filosofia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), onde investigou o conceito de “opacidade” em Édouard Glissant, autor com o qual tem dialogado ao longo de vários anos. Este livro dá a precisa medida da qualidade excepcional desse diálogo.


Release:
Todos os caminhos deste livro nos levam a um mesmo lugar: a tolerância. O que está em questão é, em termos epistemológicos, a ética — mas a ética perspectivada a partir da práxis, da ação. O mundo das coisas, não o das ideias, é o plano em que as ações se dispõem. Dessa disposição resultam conflitos que evidenciam incompreensões. O “idem” e o “alter”, variáveis ocasionais, estranham-se numa eterna disputa do “logos”, do discurso.

Quem é humano, afinal, portador de “logon”? Quem é portador de razão e habilitado, segundo a tradição logocêntrica, a domar o outro percebido como “alogon”, desprovido de razão? No ponto culminante do culto socrático do logos encontramos o Iluminismo. Seu projeto escancara a relação entre conhecimento e dominação, desmascarando, por si só, qualquer pretensão ao desinteresse em filosofia — o mito do filósofo como amigo do conhecimento.

O filosofar é, como tudo em sociedade, uma ação interessada. O traço básico desse interesse é a clareza, a objetividade, a razão, a positividade. Assim mesmo é que o Iluminismo filosófico, a “Aufklärung”, acabou por justificar e incentivar o sacrifício dos povos indígenas do mundo — todos aqueles habitantes dos “desertões”, dos lugares distantes da Europa. Povos bárbaros pelo fato de não serem romanos, como os romanos os identificavam. Povos selvagens por não serem cristãos, como os cristãos os percebiam. Povos inferiores, impuros, anatemizados, como os arianos de ontem e de hoje classificam os pretos.

A reversão dessa tradição filosófica intolerante, que impulsiona todo o martírio social que os diferentes experienciamos, só pode vir de uma vítima dessa tradição. Só quem foi incompreendido, discriminado, violentado em nome da clareza, do Iluminismo, pode postular o direito à opacidade — não em termos simplórios, mas altamente sofisticados — colocando a razão filosófica ocidental em xeque e denunciando o fundamento desumanizante dessa razão.

Édouard Glissant, afro-martinicano, fez isso. E agora, neste livro repleto de qualidades raras, Gisleide Gonçalves de Almeida nos dá a possibilidade de compreender os meandros do seu pensamento, seus tantos caminhos: o caminho da história, o da estética, o da ética, da poesia, da tradução, do caos, do mundo.

Mais do que uma leitura de Glissant, um trabalho nos limites textuais, este livro é uma escuta de um sujeito que aqui encontramos — uma escuta cuidadosa, que é, em si, um encontro tolerante com o imponderável, o desvelar da opacidade, do “é” do outro.

Mês de lançamento: Agosto 2025